Curva C em compras: como identificar no Protheus e no Datasul, e o que fazer com ela
A curva C é a parte do gasto que ninguém negocia: pedidos pequenos, recorrentes, espalhados em dezenas de fornecedores. Veja como identificar a sua no ERP e por que colocar mais gente não resolve.

A curva C em compras é o grupo de itens de menor valor na classificação ABC do gasto: pedidos pequenos e recorrentes que, somados, respondem por 15% a 20% do gasto e por 70% a 80% dos pedidos e dos fornecedores. Para encontrá-la, some o gasto por item nos últimos doze meses, ordene do maior para o menor e acumule o percentual: o que vem depois de 95% do acumulado é a curva C.
Todo gestor de compras conhece a curva ABC. Os itens A concentram o gasto e têm dono: contrato, negociação anual, fornecedor estratégico. Os itens B têm alguma atenção. E os itens C, que são a maioria dos pedidos, passam.
Este artigo é sobre os itens C: o que são em compras, como identificar a sua curva C dentro do Protheus ou do Datasul, e por que a resposta habitual (mais gente, mais processo) não fecha a conta.
O que é curva C em compras
A curva C em compras é o grupo de itens de menor valor individual na classificação ABC do gasto. Na prática, são os pedidos pequenos e recorrentes: parafuso, EPI, material de escritório, peça de reposição, serviço de manutenção, insumo de laboratório. Cada um vale pouco. Juntos, respondem por algo entre 15% e 20% do gasto e por 70% a 80% dos pedidos e dos fornecedores.
O mesmo grupo tem outros nomes, dependendo de quem fala:
- Tail spend ou cauda longa, o termo do mercado internacional, visto pela concentração: muitos pedidos, pouco valor cada.
- Compras indiretas, visto pelo destino: o que sustenta a operação sem entrar no produto final (MRO, facilities, TI, serviços).
- Gastos periféricos, a tradução que a SAP usa em português.
- Compras spot de baixo valor, como aparece em portais de cotação.
São recortes diferentes do mesmo gasto pulverizado. Quem trabalha com TOTVS costuma dizer curva C, porque é a classificação que o ERP já traz. Explicamos a equivalência em detalhe na página de tail spend, curva C e compras indiretas.
Como identificar a curva C no Protheus e no Datasul
Não é preciso relatório novo. A curva ABC de compras sai do histórico de pedidos que o ERP já guarda.
No Protheus, a base está nos itens de pedido de compra. Exporte doze meses com código do produto, descrição, fornecedor, quantidade, valor total do item (o valor efetivamente pago, não quantidade vezes preço unitário), data e filial. Some o valor por produto, ordene do maior para o menor e acumule o percentual. O ponto em que o acumulado passa de 95% é o começo da curva C. O módulo de compras também classifica por curva ABC no cadastro de produtos, mas o cálculo sobre o histórico real é mais honesto do que a classificação parametrizada.
No Datasul, a fonte é a ordem de compra e o item da ordem, com o preço total da linha. O caminho é o mesmo: valor por item, ordenação, acumulado. Se a empresa usa cotação automática no Datasul, vale cruzar quantos itens C passam por cotação de fato e quantos são emitidos direto, sem disputa.
Três cuidados que mudam o número:
- Use o valor total da linha, não quantidade vezes preço. Descontos, impostos e unidades de preço distorcem a multiplicação.
- Marque o que já está em contrato. Item C coberto por contrato tem preço definido; a oportunidade está no que é comprado fora dele. Na base que a UpFlux analisou, cerca de 45% da cauda estava em contrato.
- Normalize a descrição. "PARAF M6 INX" e "parafuso sextavado m6" são o mesmo item comprado de fornecedores diferentes a preços diferentes. Sem normalizar, a dispersão de preço fica invisível.
O que a curva C esconde: dispersão de preço
O problema da curva C não é o valor de cada pedido. É que o mesmo item, do mesmo fornecedor, sai por preços diferentes ao longo do ano, entre filiais e compradores. Numa base industrial analisada pela UpFlux, um único item de fixação apareceu com dezenas de preços em doze meses. A diferença entre o preço pago e o menor preço que a própria empresa já praticou é dinheiro que sai todo mês, pedido a pedido.
Ninguém cota item miúdo porque cotar um item de R$ 80 leva o mesmo tempo que cotar um de R$ 80 mil. O comprador, corretamente, prioriza o de R$ 80 mil. A cauda inteira passa sem negociação. Não é falha do time: é aritmética de capacidade.
Por que colocar mais gente não resolve
A resposta habitual para a curva C é processo: alçada menor, catálogo, cartão corporativo, fornecedor preferencial. Tudo isso reduz o custo de transação, mas não negocia preço. A outra resposta é gente: um analista júnior para "cuidar do miúdo". Um analista cota, com esforço, algumas dezenas de itens por dia. Uma indústria média emite milhares de pedidos C por mês. A conta não fecha, e o custo do analista come boa parte do saving que ele consegue.
É por isso que a curva C é o primeiro lugar onde agentes de IA fazem sentido em compras. Um agente lê o histórico, encontra o piso de preço já praticado para cada item, negocia com o fornecedor dentro da regra de alçada e emite o pedido no ERP. Ele não se cansa de item miúdo, e trabalha a cauda inteira, todos os dias.
O que fazer com a sua curva C
Em ordem:
- Meça. Monte a curva ABC sobre doze meses de pedidos, separe o que está em contrato e calcule a dispersão de preço por item. Se preferir, a calculadora de cauda de compras dá uma primeira estimativa com os seus números. Em hospitais e operadoras, a cauda tem perfil próprio, descrito em tail spend na saúde.
- Decida o modelo. Se a empresa quer manter a operação em casa, o Agente Negociador roda como software dentro do Protheus, Datasul ou SAP e trabalha a cauda pedido a pedido. Se a intenção é entregar a operação, o novo BPO de compras opera a central com time digital.
- Prove em reais. Cada pedido convergido ao melhor preço entra num placar auditável. Numa multinacional industrial, R$ 22 milhões processados na cauda devolveram R$ 1,6 milhão ao caixa, sem nenhuma contratação nova.
A curva C não vai desaparecer. Mas ela pode deixar de ser a parte do gasto em que ninguém negocia.
Perguntas frequentes
O que é a curva ABC de compras?
A curva ABC de compras é a classificação dos itens comprados pelo valor gasto em um período. Os itens A são poucos e concentram a maior parte do gasto. Os itens B ficam no meio. Os itens C são a maioria dos pedidos e dos fornecedores, mas respondem por uma fatia pequena do valor. A classificação orienta onde o time de compras concentra negociação e contrato.
O que é curva C em compras?
Curva C é o grupo de itens de menor valor individual na classificação ABC. São pedidos pequenos e recorrentes, como parafusos, EPI, material de escritório e peças de reposição. Juntos, respondem por algo entre 15% e 20% do gasto e por 70% a 80% dos pedidos e dos fornecedores. O mercado internacional chama o mesmo grupo de tail spend ou cauda longa.
Como calcular a curva ABC de compras?
Exporte doze meses de itens de pedido de compra do ERP com código do produto, fornecedor, valor total da linha e data. Some o valor por produto, ordene do maior para o menor e acumule o percentual sobre o total. Um corte comum é A até 80% do acumulado, B de 80% a 95% e C acima de 95%. Use o valor total da linha, não quantidade vezes preço unitário, para evitar distorção por descontos e impostos.
Como tratar os itens de curva C?
As respostas clássicas são catálogo, fornecedor preferencial, cartão corporativo e alçada menor. Elas reduzem o custo de transação, mas não negociam o preço de cada pedido. Para trabalhar a cauda inteira, o caminho é medir a dispersão de preço por item, separar o que já está em contrato e colocar capacidade automatizada, como o Agente Negociador da UpFlux, que negocia dentro da alçada e emite o pedido no ERP.
Qual a diferença entre curva C, tail spend e compras indiretas?
São recortes diferentes do mesmo gasto pulverizado. Curva C é a classificação por valor, a que o ERP já traz. Tail spend, ou cauda longa, é o termo internacional visto pela concentração: muitos pedidos, pouco valor cada. Compras indiretas é o recorte pelo destino: o que sustenta a operação sem entrar no produto final. Na maioria das empresas, os três grupos se sobrepõem quase por completo.
Por que a curva C passa sem negociação?
Cotar um item de R$ 80 leva o mesmo tempo que cotar um de R$ 80 mil, e o comprador prioriza o de maior valor. Como a cauda tem milhares de pedidos por mês, não há gente suficiente para cotar item a item. O resultado é que o mesmo item sai por preços diferentes ao longo do ano, entre filiais e compradores, sem que ninguém enxergue.
Onde isto vira operação
- IA em compras, do começo ao fimO que a IA já decide sozinha em compras, o que continua com o comprador e por onde a operação começa.
- Agentes de IA para empresasO catálogo de agentes em produção, de compras a contas médicas, com governança e o retorno de cada um medido em reais.
- Capacidade em comprasCotação, negociação e pedido dentro do ERP, com alçada definida e aprovação por exceção.
