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Compras indiretas: por que 80% dos fornecedores passam sem negociação, e como mudar isso

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Compras indiretas são o que mantém a empresa funcionando sem entrar no produto: MRO, facilities, TI, serviços. Elas concentram a maioria dos fornecedores e quase nenhuma negociação. Entenda por quê e o que fazer.

Compras indiretas: por que 80% dos fornecedores passam sem negociação, e como mudar isso

Pergunte a um diretor industrial quanto a empresa gasta com matéria-prima e ele responde de cabeça. Pergunte quanto gasta com manutenção, limpeza, EPI, licenças de software, viagens e serviços, e a resposta vem em partes, de áreas diferentes, com fornecedores que compras nunca viu.

Essa segunda conta é a das compras indiretas. Este artigo explica o que são, em que diferem das compras diretas, quais categorias entram, e por que elas concentram a maioria dos fornecedores e quase nenhuma negociação.

O que são compras indiretas

Compras indiretas são as aquisições de bens e serviços que sustentam a operação sem entrar no produto ou serviço final. A matéria-prima que vira produto é compra direta. O lubrificante da máquina que produz esse produto é compra indireta.

A diferença que importa não é contábil, é de processo:

Compras diretas Compras indiretas
O que é Insumos que entram no produto final O que mantém a operação funcionando
Quem pede Planejamento e produção, por demanda planejada Qualquer área, por necessidade do momento
Fornecedores Poucos, homologados, com contrato Muitos, pulverizados, frequentemente sem contrato
Volume de pedidos Menor, previsível Maior, recorrente, urgente
Quem negocia Comprador estratégico, uma vez ao ano Muitas vezes, ninguém

Exemplos de compras indiretas por categoria

  • MRO (manutenção, reparo e operação): peças de reposição, rolamentos, correias, fixadores, lubrificantes, ferramentas.
  • Facilities: limpeza, segurança, jardinagem, manutenção predial, energia, água.
  • EPI e uniformes: luvas, óculos, botas, protetores, vestuário.
  • TI e telecom: licenças de software, equipamentos, links, suporte.
  • Serviços profissionais: consultoria, treinamento, auditoria, assessoria jurídica.
  • Marketing: agências, eventos, brindes, mídia.
  • Viagens e despesas: passagens, hospedagem, alimentação.
  • Material de escritório e consumo: papelaria, copa, higiene.
  • Logística contratada: fretes spot, embalagens, armazenagem.

Em quase todas essas categorias, o pedido é pequeno, repete toda semana e vem de quem precisa, não de quem compra.

Por que a maioria passa sem negociação

Três razões se somam.

Primeira: o tempo de cotar não depende do valor. Cotar uma abraçadeira de R$ 5 exige a mesma sequência (três fornecedores, prazo, comparação, aprovação) que cotar um equipamento de R$ 500 mil. Um comprador com agenda cheia prioriza o equipamento. Está certo. A abraçadeira passa.

Segunda: a demanda é pulverizada. Compras indiretas nascem em dezenas de centros de custo. Cada área conhece o seu fornecedor de confiança, e o pedido chega a compras já com fornecedor definido. Sem consolidação, não há volume para negociar; sem histórico normalizado, nem se vê que o mesmo item é comprado a preços diferentes em filiais diferentes.

Terceira: a urgência. Boa parte das compras indiretas é para resolver algo parado: a máquina, o ar-condicionado, o link. Urgência não cota. Emite.

O resultado é o que o mercado chama de tail spend, cauda longa ou, no vocabulário de quem usa TOTVS, curva C: 70% a 80% dos fornecedores e dos pedidos, 15% a 20% do gasto, e uma dispersão de preço que ninguém enxerga porque ninguém olha item a item. A equivalência entre esses nomes está explicada em tail spend, curva C e compras indiretas.

O que costuma ser feito, e por que não basta

As respostas clássicas para compras indiretas atacam o custo de transação, não o preço:

  • Catálogo e fornecedor preferencial organizam o fluxo, mas congelam um preço que pode estar longe do piso.
  • Cartão corporativo e alçada menor tiram o pedido da fila, e junto tiram qualquer negociação.
  • Consolidar fornecedores é correto e demorado, e só cobre as categorias em que alguém teve tempo de trabalhar.
  • Contratar mais gente para o miúdo não escala: um analista cota dezenas de itens por dia; a operação emite milhares por mês.

Todas ajudam. Nenhuma negocia o preço de cada pedido.

Como reduzir o custo das compras indiretas

O caminho que a UpFlux usa com indústrias e serviços tem três passos.

  1. Medir a cauda na base real. Doze meses de pedidos do ERP, descrição normalizada, valor total por linha, contrato marcado. O resultado é a dispersão de preço por item e o alvo em reais. A calculadora em /compras dá a primeira estimativa; o diagnóstico de duas semanas confirma na sua base.
  2. Colocar capacidade onde não cabe gente. Agentes de IA trabalham a cauda pedido a pedido: encontram o piso de preço já praticado pela própria empresa, negociam dentro da regra de alçada e emitem o pedido no Protheus, Datasul ou SAP. O comprador aprova por exceção. É o que faz o Agente Negociador.
  3. Escolher o modelo de entrega. Quem quer manter a operação em casa usa a tecnologia como software. Quem quer entregar a central de compras contrata o novo BPO de compras, em que um time digital opera as quatro torres (central, divergências, contratos, cadastros) com custo que encolhe a cada ciclo. Na dúvida entre os dois, quando vale a pena terceirizar compras ajuda a decidir.

Numa multinacional industrial, R$ 22 milhões processados na cauda de compras indiretas devolveram R$ 1,6 milhão ao caixa, sem nenhuma contratação nova. Os compradores saíram da fila de cotação para o que exige julgamento.

Compras indiretas vão continuar pulverizadas, urgentes e numerosas. O que muda é deixar de aceitar que, por serem assim, fiquem sem negociação.

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