Curva ABC de compras: como classificar gasto e fornecedores com os pedidos do ERP
A curva ABC de compras ordena o gasto por item, categoria ou fornecedor e separa as classes A, B e C pelo valor acumulado. Veja como montar com os pedidos do Protheus, do Datasul ou do SAP, como justificar os cortes, a curva ABC de fornecedores e a estratégia de cada classe.

A curva ABC de compras ordena o gasto do maior para o menor, por item, categoria ou fornecedor, e divide o resultado em três classes pelo percentual acumulado: A, os poucos que concentram o valor; B, o meio; e C, a cauda de muitos itens com pouco valor cada. Monta-se com os pedidos de 12 meses.
Quase todo material sobre curva ABC trata de estoque ou de vendas. A curva de compras é outra: ela mede o gasto, inclui serviços e itens que nunca passam pelo estoque, e serve para decidir onde negociar, onde contratar e onde simplificar. Este artigo mostra o método completo com os dados do ERP, a curva ABC de fornecedores, como justificar os cortes e o que fazer com cada classe. O que fazer em detalhe com a classe C está em curva C em compras; aqui fica o método. Ao final, mostramos onde a operação de compras com time digital muda o tratamento da cauda.
Curva ABC de compras não é curva ABC de estoque
As duas usam o mesmo princípio de Pareto, mas respondem a perguntas diferentes.
| Curva ABC de estoque | Curva ABC de compras | |
|---|---|---|
| O que mede | valor de consumo ou de saldo de cada item estocado | valor gasto em pedidos de compra |
| O que entra | só itens com controle de estoque | materiais, serviços, itens de consumo direto, contratos |
| Para que serve | política de reposição, inventário, nível de serviço | estratégia de negociação, contratos, foco do time de compras |
| Quem usa | planejamento de materiais, almoxarifado | compras, controladoria, CPO e CFO |
Usar a curva de estoque para decidir a estratégia de compras deixa de fora justamente os serviços e os itens de consumo direto, onde boa parte do gasto indireto está.
Como fazer a curva ABC de compras, passo a passo
O Protheus, o Datasul e o SAP já registram todos os dados necessários. O que muda de um para outro é o relatório de onde se extrai, não a lógica.
- Extraia os pedidos de 12 meses, com item, descrição, categoria, fornecedor, quantidade, valor total e data. Use o pedido emitido, não a solicitação: é o pedido que vira gasto. Se a empresa tem muita nota sem pedido, some as notas, senão a curva esconde justamente o gasto fora do processo (ver maverick spend).
- Escolha a unidade de análise. Por item serve para negociação de preço; por categoria, para estratégia; por fornecedor, para gestão de fornecedores. Faça as três, uma de cada vez.
- Some o valor por unidade de análise no período.
- Ordene do maior para o menor.
- Calcule a participação de cada linha no total e o percentual acumulado.
- Aplique os cortes. Uma convenção comum é A até 80% do acumulado, B de 80% a 95% e C acima de 95%. Ela é ponto de partida, não regra: a próxima seção mostra como justificar o corte.
- Conte os pedidos e os fornecedores de cada classe. É a coluna que transforma a curva em decisão.
Na planilha, isso cabe em seis colunas: unidade de análise, valor em 12 meses, participação, acumulado, classe e número de pedidos. A ordenação e o acumulado são uma soma corrida da coluna de participação; a classe é uma regra condicional sobre o acumulado. Não é preciso ferramenta nenhuma além da planilha para a primeira versão.
Exemplo de curva ABC de compras por categoria (hipotético)
O exemplo abaixo é hipotético: uma empresa de serviços com R$ 40 milhões de gasto indireto em 12 meses.
| Categoria (hipotético) | Gasto em 12 meses | Participação | Acumulado | Classe | Pedidos |
|---|---|---|---|---|---|
| Facilities | R$ 13,0 milhões | 32,5% | 32,5% | A | 60 |
| Tecnologia e telecom | R$ 9,0 milhões | 22,5% | 55,0% | A | 140 |
| Frota e logística | R$ 6,0 milhões | 15,0% | 70,0% | A | 220 |
| Manutenção predial | R$ 4,0 milhões | 10,0% | 80,0% | A | 610 |
| Marketing e eventos | R$ 3,0 milhões | 7,5% | 87,5% | B | 380 |
| Consultorias e serviços pontuais | R$ 2,8 milhões | 7,0% | 94,5% | B | 520 |
| Material de escritório, copa e limpeza | R$ 1,2 milhão | 3,0% | 97,5% | C | 2.700 |
| EPI, ferramentas e diversos | R$ 1,0 milhão | 2,5% | 100,0% | C | 3.400 |
A classe A tem quatro categorias, 80% do gasto e cerca de 1.030 pedidos. A classe C tem 5,5% do gasto e 6.100 pedidos: mais de 75% de tudo o que o time de compras emite. Lida só pelo valor, a curva diz que a classe C não importa. Lida também pelos pedidos, ela diz onde está o trabalho.
Como justificar os cortes
O corte 80/95 é uma convenção. Para defendê-lo diante do CFO ou ajustá-lo, use três critérios:
- Capacidade do time. A classe A deve ter um número de itens ou categorias que o time consegue negociar ativamente, com contrato e revisão periódica. Se a classe A tem 400 itens e o time tem três compradores, o corte está largo demais.
- Ponto de virada da curva. Em muitas bases, a curva acumulada sobe rápido e depois achata. O cotovelo é um corte mais natural do que um número fixo.
- Custo de processar contra valor. Na classe C, o custo interno de cotar e aprovar um pedido pode passar do que dá para economizar nele. O cálculo está em quanto custa um pedido de compra.
Escreva o critério usado. A curva sem critério escrito é refeita a cada reunião com um resultado diferente.
Curva ABC de fornecedores
A mesma conta, agrupada por fornecedor, responde a outras perguntas:
- Concentração. Quantos fornecedores fazem 80% do gasto? Poucos fornecedores na classe A é sinal de poder de negociação, mas também de dependência. O risco de depender de um só fornecedor é tratado em fornecedor único.
- Pulverização. Quantos fornecedores estão na classe C? Centenas de fornecedores com uma ou duas compras por ano custam cadastro, conferência fiscal e pagamento, e raramente passam por qualquer avaliação.
- Sobreposição. O mesmo item aparece comprado de vários fornecedores da classe C? É candidato a acordo de fornecimento, como explicado em compras recorrentes.
Cruze a curva de fornecedores com a de categorias. Fornecedor da classe C numa categoria da classe A é, quase sempre, uma compra que fugiu do contrato.
O que fazer com cada classe
| Classe | Perfil típico | Estratégia | Forma de comprar |
|---|---|---|---|
| A | poucos itens ou categorias, maior parte do gasto | negociação ativa, contrato, gestão de fornecedor | concorrência periódica, contrato com meta de preço, revisão com o fornecedor |
| B | volume intermediário | padronizar e consolidar | acordo de fornecimento, cotação com mapa simples |
| C | muitos itens e fornecedores, pouco valor cada | reduzir o custo de processar sem perder a comparação de preço | catálogo, acordo para o recorrente, cotação e pedido automatizados com referência de histórico |
A curva ABC diz onde está o dinheiro. Para decidir como comprar cada categoria, cruze com o risco de suprimento na matriz de Kraljic. A leitura completa do gasto, por categoria, área e fornecedor, é o tema de spend analytics, e a classe C tem um perfil próprio nas compras indiretas.
Erros comuns
- Usar o cadastro de item sem limpar. O mesmo parafuso cadastrado com cinco códigos aparece como cinco itens pequenos na classe C, quando somado seria classe B.
- Esquecer as notas sem pedido. A curva fica bonita e mente.
- Fazer só por valor. Sem a contagem de pedidos, a classe C parece irrelevante.
- Fazer uma vez. A curva muda com contratos novos, sazonalidade e troca de fornecedor. Refaça a cada trimestre.
- Parar na classificação. Curva sem estratégia e sem dono por classe é relatório, não gestão.
Perguntas frequentes
O que é a curva ABC de compras?
É a classificação do gasto de compras em três classes pelo valor acumulado: A, os poucos itens, categorias ou fornecedores que concentram a maior parte do gasto; B, o volume intermediário; e C, a cauda de muitos itens com pouco valor cada. Ela se monta com os pedidos de compra dos últimos 12 meses.
Como fazer a curva ABC de compras?
Extraia 12 meses de pedidos do ERP, some o valor por item, categoria ou fornecedor, ordene do maior para o menor, calcule a participação e o percentual acumulado e aplique os cortes, por exemplo 80% e 95%. Conte também os pedidos e os fornecedores de cada classe.
Qual o percentual de cada classe na curva ABC?
Não há percentual obrigatório. Uma convenção comum é A até 80% do valor acumulado, B de 80% a 95% e C acima de 95%. O corte deve ser ajustado pela capacidade do time de compras, pelo ponto em que a curva achata e pelo custo de processar cada pedido.
O que é a curva ABC de fornecedores?
É a mesma classificação feita por fornecedor: mostra quantos fornecedores concentram o gasto, quantos estão pulverizados na cauda e onde o mesmo item é comprado de vários fornecedores pequenos. Serve para medir dependência, consolidar a base e achar compras fora de contrato.
Qual a diferença entre curva ABC de compras e de estoque?
A de estoque mede o valor de consumo ou de saldo dos itens estocados e serve para a política de reposição. A de compras mede o valor gasto em pedidos, inclui serviços e itens sem estoque, e serve para decidir a estratégia de negociação e o foco do time de compras.
Como a UpFlux faz
A UpFlux monta a curva ABC com os pedidos do Protheus, do Datasul ou do SAP e mede, transação por transação, quanto da classe C sai sem cotação e com preço acima do histórico da própria empresa. A visão do gasto por categoria e fornecedor está em inteligência de compras. Para a execução, o time digital de compras cota, negocia e emite o pedido da cauda dentro do ERP, dentro da alçada, e o comprador decide só a exceção.
Onde isto vira operação
- IA em compras, do começo ao fimO que a IA já decide sozinha em compras, o que continua com o comprador e por onde a operação começa.
- Agentes de IA para empresasO catálogo de agentes em produção, de compras a contas médicas, com governança e o retorno de cada um medido em reais.
- Capacidade em comprasCotação, negociação e pedido dentro do ERP, com alçada definida e aprovação por exceção.



