Tendências de IA em compras para 2027: o que dizem Gartner, Hackett e McKinsey, e o que muda no Brasil
As tendências de IA em compras para 2027, só com fontes públicas e datadas: IA no topo das prioridades com pouca escala, carga crescendo sem equipe, agentes que executam e papéis a redesenhar. E, no Brasil, a CBS entra em vigor e o ECC chega ao fim da manutenção padrão.

As tendências de IA em compras para 2027, segundo as pesquisas públicas de Gartner, Hackett Group e McKinsey, apontam na mesma direção: a IA chega ao topo das prioridades de compras, mas poucas empresas operam em escala; a carga cresce sem aumento de equipe; os agentes passam a executar; e o ganho depende de redesenhar papéis e processos.
Este artigo reúne o que essas fontes disseram entre 2024 e outubro de 2026, cada dado com link e data, e acrescenta duas mudanças que não dependem de pesquisa nenhuma porque já estão no calendário do Brasil em 2027: a cobrança da CBS e o fim da manutenção padrão do SAP ECC. Não há previsão sem fonte aqui. Onde o texto interpreta, diz que está interpretando, e a ligação com a operação de compras aparece no fim de cada tendência.
Resumo das tendências
| Tendência | O que a fonte diz | Fonte e data |
|---|---|---|
| A IA sobe para o topo da agenda | IA entra pela primeira vez entre as três prioridades de compras; 43% das organizações buscam ativamente implantar, mas só 12% operam em larga escala | Hackett Group, 17/03/2026 |
| A carga cresce, a equipe não | Carga de trabalho de compras projetada para subir 8% em 2026, com equipe e orçamento em queda | Hackett Group, 17/03/2026 |
| Do "mostre os dados" ao "faça por mim" | Agentes executam tarefas de várias etapas: preparar negociação, analisar propostas, conferir nota contra contrato | McKinsey, 05/02/2026 |
| Contratos negociados com apoio de IA | Até 2027, 50% das organizações vão apoiar a negociação de contratos com fornecedores em ferramentas de IA de análise de risco e edição de contrato | Gartner, 08/05/2024 |
| Redesenho de papéis | 63% dos líderes de compras esperam melhora significativa com IA em três anos, mas só 25% redesenharam cargos por causa dela | Gartner, 08/10/2026 |
| Seleção dos projetos de agentes | Mais de 40% dos projetos de IA agêntica devem ser cancelados até o fim de 2027 | Gartner, 25/06/2025 |
| CBS em vigor no Brasil | A partir de 2027, a CBS é cobrada e o PIS e a Cofins são extintos | EC 132/2023, art. 126 do ADCT |
| Fim da manutenção padrão do ECC | Manutenção padrão do Business Suite 7, que inclui o ECC, até o fim de 2027 | SAP, 04/02/2020 |
1. A IA chega ao topo da agenda, mas a escala ainda é rara
O estudo de questões-chave de compras de 2026 da Hackett Group, divulgado em 17 de março de 2026, mostra que implantar tecnologia com IA entrou pela primeira vez entre as três prioridades das áreas de compras. Oitenta por cento dos executivos de compras apontam a IA como a tendência mais transformadora para a função nos próximos cinco anos.
A adoção acelera: 43% das organizações buscam ativamente implantar IA, quase o dobro do ano anterior. Mas só 12% relatam implantação em larga escala, e a maioria ainda está em piloto ou em um único caso de uso. Sessenta e nove por cento acessam IA por recursos embutidos nas plataformas de compras que já usam, principalmente nos processos transacionais.
O que isso indica para 2027, na nossa leitura: a distância entre testar e operar vai pesar mais que a distância entre ter e não ter IA. A própria Hackett recomenda avaliar primeiro onde a IA gera valor mensurável no contexto da empresa, antes de escolher entre recursos embutidos, soluções nativas de IA ou desenvolvimento próprio. Por onde começar está em como implementar IA em compras.
2. A carga cresce, a equipe não
O mesmo estudo projeta aumento de 8% na carga de trabalho de compras em 2026, enquanto equipe e orçamento caem. É a mesma pressão que o Gartner registrou em cadeia de suprimentos: em pesquisa divulgada em 25 de fevereiro de 2026, com 509 líderes, 55% disseram esperar que a IA agêntica reduza a necessidade de contratar para posições de entrada, e 86% concordaram que a adoção vai exigir novos processos para desenvolver talentos.
A consequência mais visível está na cauda de compras: os milhares de pedidos pequenos que já não recebiam cotação vão receber menos ainda, se a única resposta for distribuir o trabalho extra entre os mesmos compradores. Como dimensionar a área está em quantos compradores sua empresa precisa, e como crescer o resultado sem crescer o time, em aumentar o saving sem aumentar o headcount.
3. Os agentes passam a executar
Em artigo de 5 de fevereiro de 2026, a McKinsey descreve a passagem da IA analítica ("mostre os dados") para a IA agêntica ("faça por mim"): agentes que executam tarefas de várias etapas, analisam propostas durante a noite, acompanham índices de mercado e preparam a negociação. O artigo traz casos com números, todos atribuídos pela McKinsey às empresas citadas:
- Uma operadora de telecomunicações usa agentes para apoiar negociações de preço na cauda de gastos com software especializado. Segundo a McKinsey, o tempo das equipes em análise e e-mails caiu até 90%, e as negociações guiadas pela IA geraram de 10% a 15% de economia.
- Uma empresa química pilota agentes em sourcing autônomo na categoria de consumíveis, com ganho de 20% a 30% na eficiência da equipe e de 1% a 3% na captura de valor.
- Uma farmacêutica usa agentes para conferir notas e pedidos contra os termos de contrato, o que reduziu em 4% o valor perdido por vazamento.
A própria McKinsey ressalta que não se trata de grandes substituições de ERP nem de programas de TI de vários anos, e sim de intervenções direcionadas, com poucos conjuntos de dados e casos de uso bem definidos. O que um agente faz e não faz em compras está em agente de IA para compras.
4. Contratos negociados com apoio de IA
Em comunicado de 8 de maio de 2024, o Gartner previu que, até 2027, metade das organizações vai apoiar a negociação de contratos com fornecedores em ferramentas de IA de análise de risco e edição de contrato. Na mesma pesquisa, com 101 líderes de compras feita em novembro de 2023, 58% disseram já implementar ou planejar implementar IA nos 12 meses seguintes.
É uma das poucas previsões públicas com data em 2027 e escopo específico de compras. Ela trata da parte jurídica e de risco do contrato, não da operação do pedido. As duas se complementam: o contrato bem negociado só vira resultado se os pedidos forem emitidos contra ele.
5. O redesenho de papéis vira o gargalo
Duas pesquisas do Gartner em 2026 apontam o mesmo problema. Em 19 de maio de 2026, uma pesquisa com 101 CPOs mostrou que só 36% estão muito confiantes na capacidade de redesenhar papéis e processos em torno da IA, e que os ganhos de produtividade individuais não estão se convertendo em resultado da equipe, o que o Gartner chama de paradoxo de produtividade da IA. Em 8 de outubro de 2026, com 213 líderes de compras, 63% disseram esperar que a IA melhore significativamente o desempenho da função em três anos, mas só 25% haviam redesenhado cargos por causa dela.
O Gartner recomenda separar o trabalho em tarefas essencialmente humanas e tarefas nativas de IA, e medir o ganho em resultado financeiro, não só em eficiência. Em compras, a fronteira é relativamente clara: estratégia de categoria, relacionamento com fornecedor crítico e julgamento ficam com as pessoas; cotar, negociar a cauda dentro de regra, emitir o pedido e conferir documentos podem sair da agenda delas. A organização por categorias, com dono para a cauda, está em gestão por categorias.
6. Os projetos de agentes passam por uma seleção
Em 25 de junho de 2025, o Gartner previu que mais de 40% dos projetos de IA agêntica serão cancelados até o fim de 2027, por custos crescentes, valor de negócio pouco claro ou controles de risco inadequados. O mesmo comunicado prevê que, até 2028, 33% das aplicações corporativas terão IA agêntica e pelo menos 15% das decisões do dia a dia do trabalho serão tomadas de forma autônoma.
As duas previsões não se contradizem: indicam que os agentes vão crescer, e que sobrevivem os que mostram valor e controle. Em compras, isso significa escopo e alçada escritos, registro de cada decisão, reversão e resultado em reais por transação. O checklist está em governança de agentes de IA, e a forma de medir sem inflar, em ROI de agentes de IA em compras.
7. No Brasil, a CBS entra em vigor em 2027
Esta não é tendência, é calendário. Pelo art. 126 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, incluído pela Emenda Constitucional 132/2023, a partir de 2027 a CBS passa a ser cobrada e o PIS e a Cofins são extintos. Em 2026, a CBS e o IBS rodam com alíquotas de teste.
Para compras, a mudança é de critério: a comparação de propostas passa a depender do crédito que cada fornecedor gera, e o menor preço bruto deixa de ser, necessariamente, o menor custo. Comparar cotações pelo custo líquido, pedido a pedido, é o tipo de trabalho repetitivo que pesa justamente na cauda. O que muda em detalhe está em reforma tributária em compras.
8. ECC no fim da manutenção padrão, e ERPs com agentes nativos
Em comunicado de 4 de fevereiro de 2020, a SAP informou que a manutenção padrão das aplicações centrais do Business Suite 7, que inclui o ECC, vai até o fim de 2027, com manutenção estendida opcional até 2030. Para quem compra no ECC, 2027 é ano de decisão de migração, e mapear o processo real antes de decidir evita levar o problema junto. O roteiro está em process mining no SAP.
Ao mesmo tempo, os fabricantes de ERP colocam agentes dentro do sistema. A TOTVS lançou a LYNN em fevereiro de 2026 (Brazil Journal), com agentes integrados aos ERPs da casa, como Protheus, Datasul e RM, e a SAP amplia o Joule a cada versão. O que cada um traz para compras está em LYNN da TOTVS e em Joule da SAP em compras. Para a empresa, a boa notícia é que a IA chega onde o dado e a regra já estão.
O que fazer em 2027, a partir dessas fontes
As fontes acima não dizem o que cada empresa deve fazer, mas apontam um roteiro coerente:
- Medir antes de automatizar. Doze meses de pedidos mostram onde o processo espera, quanto sai sem cotação e onde está a cauda.
- Escolher dois ou três casos com valor mensurável, como recomenda a Hackett, em vez de ativar tudo o que está disponível.
- Redesenhar papéis junto com a tecnologia, como recomenda o Gartner: o que fica com o comprador, o que passa para o agente.
- Escrever a governança antes de dar autonomia: escopo, alçada, registro e reversão.
- Medir em reais, transação por transação, com a régua combinada com o financeiro antes de começar.
- Preparar a comparação de propostas para a CBS, pelo custo líquido.
Perguntas frequentes
Quais são as tendências de IA em compras para 2027?
Segundo pesquisas públicas de Gartner, Hackett Group e McKinsey: a IA entre as três prioridades de compras, com escala ainda rara; carga de trabalho crescendo sem aumento de equipe; agentes executando tarefas de várias etapas; negociação de contratos apoiada por IA; redesenho de papéis como gargalo; e seleção dos projetos de agentes pelo valor e pelo controle.
O que o Gartner prevê para compras em 2027?
Em maio de 2024, o Gartner previu que, até 2027, metade das organizações vai apoiar a negociação de contratos com fornecedores em ferramentas de IA de análise de risco e edição de contrato. Em junho de 2025, previu que mais de 40% dos projetos de IA agêntica, em geral, serão cancelados até o fim de 2027.
Os agentes de IA vão substituir os compradores?
As fontes falam em redesenho, não em substituição. O Gartner recomenda separar tarefas essencialmente humanas das tarefas nativas de IA. Em compras, a estratégia de categoria, o relacionamento com fornecedores críticos e o julgamento ficam com as pessoas; a execução repetitiva, como cotar e emitir pedidos da cauda, pode passar para agentes.
O que muda em compras com a reforma tributária em 2027?
A partir de 2027, a CBS passa a ser cobrada e o PIS e a Cofins são extintos, pelo art. 126 do ADCT, incluído pela Emenda Constitucional 132/2023. A comparação de propostas passa a considerar o crédito gerado por cada fornecedor, e o menor preço bruto pode não ser o menor custo líquido.
Como se preparar para a IA em compras em 2027?
Medindo o processo com os dados do ERP, escolhendo poucos casos com valor mensurável, redesenhando papéis junto com a tecnologia, escrevendo a governança dos agentes antes de dar autonomia e medindo o resultado em reais, transação por transação.
Como a UpFlux faz
A UpFlux já opera o que estas pesquisas descrevem como tendência. O time digital de compras é formado por agentes de IA comandados por especialistas enxutos que cotam, negociam e emitem o pedido da cauda no Protheus, no Datasul e no SAP, dentro da alçada escrita pelo comprador, com registro de cada decisão e resultado medido em reais, pedido a pedido. Como o agente negocia está em Agente Negociador, e o ponto de partida, com os dados que o ERP já tem, em diagnóstico.
Onde isto vira operação
- IA em compras, do começo ao fimO que a IA já decide sozinha em compras, o que continua com o comprador e por onde a operação começa.
- Agentes de IA para empresasO catálogo de agentes em produção, de compras a contas médicas, com governança e o retorno de cada um medido em reais.
- Capacidade em comprasCotação, negociação e pedido dentro do ERP, com alçada definida e aprovação por exceção.



