Process mining no SAP: o que dá para enxergar em compras e pagamentos e como ir do mapa à execução

Publicado em Atualizado em 9 min de leituraPor Alex Meincheim, CEO & Co-founder, UpFlux

Process mining no SAP é a reconstrução do caminho real de cada requisição, pedido, nota e pagamento a partir dos registros que o S/4HANA ou o ECC já guardam. Veja o que ele mostra em compras e em contas a pagar, como é a extração e como o mapa vira execução com agentes dentro do próprio SAP.

Process mining no SAP: o que dá para enxergar em compras e pagamentos e como ir do mapa à execução

Process mining no SAP é a reconstrução do caminho real de cada requisição, pedido, recebimento, nota e pagamento a partir dos registros que o SAP S/4HANA ou o ECC já guardam. Em vez do fluxo do manual, mostra o que aconteceu, caso a caso: quem fez cada etapa, quando, quanto durou cada espera e onde o processo desviou.

O SAP é um dos sistemas que mais registram o próprio trabalho. Cada documento nasce com autor e data, cada liberação fica gravada, cada alteração de preço ou de quantidade deixa rastro. O process mining transforma esse rastro numa linha do tempo por caso e, somando milhares de casos, no mapa do processo como ele é. É a fundação da process intelligence: o diagnóstico medido sobre o qual qualquer decisão de melhoria, automação ou agente deveria ser tomada.

Este artigo mostra o que esse mapa revela em compras e em contas a pagar, em linguagem de negócio, como é a extração no S/4HANA e no ECC, um exemplo de leitura e o caminho do mapa à execução.

O que o SAP já registra, em linguagem de negócio

Para o process mining, basta que o sistema responda a três perguntas sobre cada passo: qual caso (a requisição ou o pedido), qual atividade (criada, liberada, alterada, recebida, lançada, paga) e quando. Esse conjunto é o log de eventos, explicado em detalhe no guia de mineração de processos.

No ciclo de compras e pagamentos do SAP, os principais eventos são:

  • Requisição: criação, cada liberação na estratégia de aprovação, alteração e eliminação.
  • Cotação e pedido: pedido de cotação, propostas registradas, criação do pedido, liberação, alterações de preço, quantidade, data de entrega ou fornecedor.
  • Recebimento: entrada da mercadoria ou aceite do serviço, devoluções.
  • Nota e fatura: lançamento da fatura do fornecedor, bloqueios por divergência entre pedido, recebimento e nota, liberação do bloqueio.
  • Pagamento: vencimento, proposta de pagamento, pagamento efetivo, estorno.

Cada um desses eventos traz usuário, data e hora. Ligados pelo número do documento, formam a história completa de cada compra, do pedido de quem precisa até o dinheiro sair.

O que dá para enxergar em compras

Pergunta O que o mapa mostra Decisão que destrava
Onde a requisição espera? Tempo entre criação, cada liberação e a virada em pedido, por área e por faixa de valor Rever alçada ou criar capacidade de cotação
Quanto sai sem cotação? Pedidos sem pedido de cotação ou com uma única proposta, por categoria Regra de cotações por faixa, cobertura da cauda
Há pedido depois da nota? Pedidos criados com data posterior à fatura, a compra que só foi regularizada Atacar o maverick spend na causa
O preço muda depois do pedido? Alterações de preço após a criação, com autor e valor Revisar o momento da negociação e a referência de preço
Há fracionamento? Vários pedidos do mesmo item e fornecedor em poucos dias, cada um abaixo da alçada Ajustar alçada e consolidar demanda
Quanto retrabalho existe? Pedidos alterados várias vezes, liberações refeitas Corrigir cadastro, catálogo ou requisição mal preenchida
O mesmo item custa diferente? Dispersão de preço do mesmo material entre centros e compradores Referência única de preço e negociação centralizada

A média esconde quase tudo isso. "O pedido leva 12 dias" pode ser a soma de 70% de pedidos que saem em 3 dias com 30% que esperam um mês, e só a leitura caso a caso mostra o que os pedidos lentos têm em comum: a mesma categoria, o mesmo aprovador, a mesma unidade.

O que dá para enxergar em contas a pagar

O mesmo rastro continua depois do recebimento, e é onde muito dinheiro escapa em silêncio:

  • Nota sem pedido, lançada direto, sem referência de preço nem alçada.
  • Bloqueio por divergência de preço ou quantidade entre pedido, recebimento e nota: quantos acontecem, quanto tempo ficam parados e quem libera.
  • Pagamento fora do prazo: antecipado demais, consumindo caixa, ou atrasado, gerando multa e desgaste com o fornecedor.
  • Desconto por antecipação perdido, porque a nota ficou parada no bloqueio.
  • Indício de duplicidade: mesma nota, mesmo valor, mesmo fornecedor, lançada duas vezes.
  • Alteração de dados bancários do fornecedor perto do pagamento, um sinal clássico de risco.

O guia de IA no contas a pagar mostra o que fazer com cada um desses achados depois que eles aparecem.

Como funciona a extração no S/4HANA e no ECC

A extração é o passo que mais assusta e o que menos deveria. Os pontos práticos:

  1. Acesso de leitura. O process mining lê; não grava nada no SAP. O acesso é concedido pela área de sistemas, com perfil restrito ao que o ciclo de compras e pagamentos usa.
  2. S/4HANA e ECC. Os dois registram os mesmos eventos de negócio, com diferenças de estrutura que a extração trata. Quem ainda está no ECC não precisa esperar a migração.
  3. Janela de 12 meses. Um ano de dados captura sazonalidade, fechamentos e as exceções que só aparecem de vez em quando.
  4. Dado pessoal tratado. Usuários, aprovadores e fornecedores pessoa física são dados protegidos. Pseudonimizar quem executa e restringir quem vê o detalhe faz parte do projeto.
  5. Validação com a área. Antes de qualquer conclusão, o mapa é conferido com quem opera: um evento mal interpretado vira uma conclusão errada.

O prazo depende mais do acesso liberado do que da tecnologia. Com o acesso pronto, o primeiro mapa de compras sai em semanas, não em meses, e não exige projeto paralelo nem mudança no SAP.

Exemplo de leitura: um ano de compras

Uma empresa hipotética extrai 12 meses do ciclo de compras do SAP S/4HANA e encontra:

Achado (hipotético) Casos no ano Leitura
Requisições liberadas esperando mais de 10 dias para virar pedido 9.400 Falta capacidade de cotação, não de aprovação
Pedidos com uma única proposta, abaixo de R$ 10 mil 14.200 A cauda sai sem negociação
Pedidos criados depois da nota 3.100 Compra fora do processo, concentrada em manutenção
Faturas bloqueadas por divergência de preço 2.600 Preço do pedido desatualizado ou negociado por fora
Pedidos alterados três vezes ou mais 1.900 Requisição mal especificada em duas categorias

Nenhum desses números diz, sozinho, o que fazer. A leitura sim: o gargalo principal não está na alçada, está entre a requisição liberada e o pedido, e é trabalho de cotação que o time não dá conta de fazer na cauda. Esse é o tipo de conclusão que define onde vale colocar um agente. O post como interpretar resultados de process mining aprofunda essa passagem do achado à decisão.

Do mapa à execução: onde entram os agentes

O process mining mostra onde o processo trava e quanto isso custa. O passo seguinte é decidir o que fazer em cada achado, e aqui há três caminhos:

  • Ajuste de regra ou de cadastro, quando a causa é alçada mal desenhada, catálogo inexistente ou requisição mal preenchida. Resolve sem tecnologia nova.
  • Configuração do próprio SAP, quando o recurso existe e não está em uso: fonte de suprimento automática, contratos com liberação contra saldo, catálogos.
  • Agentes que executam, quando o gargalo é trabalho transacional que ninguém tem tempo de fazer: cotar, negociar e emitir o pedido da cauda, conferir a nota contra o pedido e o recebimento, tratar o bloqueio por divergência.

No terceiro caso, o mapa continua sendo a base. Ele define o escopo do agente (quais categorias, quais faixas de valor), fornece a linha de base antes de ligá-lo e mede, depois, se o tempo de espera caiu e quanto o agente devolveu em reais, caso a caso. Process mining e agentes não são etapas separadas: o mapa diz onde agir, o agente age dentro do SAP e o mapa confere o resultado. O post sobre process intelligence e agentes de IA detalha esse ciclo, e o de IA no SAP MM mostra o que um agente faz dentro do fluxo de compras.

O que o próprio SAP oferece

A SAP tem process mining no próprio portfólio, no SAP Signavio Process Intelligence, e o assistente Joule, com cenários de compras que crescem a cada versão. Para quem quer entender o que o Joule faz em compras e o que fica de fora, o post Joule da SAP em compras faz esse mapa.

A pergunta prática não é qual ferramenta desenha o mapa, mas quem executa o que o mapa mostrou. Um diagnóstico que aponta 14 mil pedidos da cauda saindo sem negociação, como no exemplo hipotético acima, só vira resultado quando alguém passa a negociar esses pedidos. É nesse ponto que a UpFlux entra no SAP: o mesmo rastro que gerou o mapa vira o escopo, a âncora de preço e a régua do time digital que opera a cauda no S/4HANA e no ECC.

ECC até 2027: o mapa antes da migração

Em comunicado de 4 de fevereiro de 2020, a SAP informou que a manutenção padrão das aplicações centrais do Business Suite 7, que inclui o ECC, vai até o fim de 2027, com manutenção estendida opcional até o fim de 2030. Para quem ainda está no ECC, o process mining tem um uso a mais: mostrar, antes de decidir o caminho da migração, quais variantes do processo existem de verdade, quais customizações ainda são usadas e quais podem ser aposentadas. O roteiro está em migração para o SAP S/4HANA: o que mapear antes.

Perguntas frequentes

O que é process mining no SAP?

É a técnica que lê os registros que o SAP S/4HANA ou o ECC guardam de cada documento (requisição, pedido, recebimento, nota, pagamento) e reconstrói o caminho real de cada caso, com tempos, desvios e retrabalhos. O resultado é o mapa do processo como ele acontece, não como foi desenhado.

O process mining altera alguma coisa no SAP?

Não. Ele usa acesso de leitura, concedido pela área de sistemas com perfil restrito, e não grava nada no ERP. A mudança no processo vem depois, como decisão tomada a partir do mapa.

Dá para fazer process mining no SAP ECC ou só no S/4HANA?

Nos dois. ECC e S/4HANA registram os mesmos eventos de negócio, com diferenças de estrutura tratadas na extração. Para quem está no ECC, o mapa ajuda inclusive a preparar a migração.

Quanto tempo leva um projeto de process mining no SAP?

O prazo depende sobretudo da liberação do acesso aos dados. Com o acesso pronto, o primeiro mapa de compras e pagamentos sai em semanas, a partir de uma janela de 12 meses de dados, e é validado com quem opera o processo antes de qualquer conclusão.

O que o process mining mostra em contas a pagar?

Notas sem pedido, faturas bloqueadas por divergência entre pedido, recebimento e nota, pagamentos antecipados ou atrasados, descontos perdidos, indícios de duplicidade e alterações de dados bancários perto do pagamento.

Qual a diferença entre process mining e process intelligence?

O process mining reconstrói o processo a partir do log. A process intelligence soma a esse mapa o valor em reais de cada desvio, a priorização e o acompanhamento contínuo do resultado, inclusive do que os agentes executam.

Como a UpFlux faz

A UpFlux começa pelo process mining do ciclo de compras e pagamentos no SAP, com acesso de leitura e 12 meses de dados, e transforma o mapa em fila de ação com valor em reais. Onde o gargalo é trabalho transacional na cauda, o time digital da UpFlux cota, negocia e emite o pedido dentro do S/4HANA ou do ECC, com alçada escrita pelo comprador e registro por decisão, e a mesma process intelligence que gerou o diagnóstico mede o resultado, transação por transação. Como isso funciona no ambiente SAP está em SAP.

Onde isto vira operação

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