Integridade de pagamentos em saúde: o que é, como funciona na operadora e como medir
Integridade de pagamentos, o payment integrity do mercado americano, é o conjunto de controles que garante que cada pagamento ao prestador seja devido e no valor certo. O que o termo cobre em português, as camadas antes e depois do pagamento e os indicadores para medir.

Integridade de pagamentos em saúde, tradução de payment integrity, é o conjunto de controles que garante que cada pagamento da operadora ao prestador seja devido: serviço coberto, realizado, autorizado quando exigido, para o beneficiário certo e no valor contratado. Mede-se pela taxa de pagamento indevido, para mais e para menos, apurada por amostra estatística.
No Brasil, a operadora não fala em integridade de pagamentos. Fala em auditoria de contas, glosa, regulação, autorização prévia, combate à fraude, recurso de glosa e contas a pagar de prestadores. Cada uma dessas áreas tem dono, sistema e indicador próprios. O que falta é a pergunta que junta todas: de tudo o que a operadora pagou no mês, quanto estava certo?
Integridade de pagamentos é o nome dessa pergunta. Este guia define o termo em português, mostra as camadas de controle antes e depois do pagamento e propõe um jeito de medir que não dependa de volume de glosa. É o recorte em que trabalha a auditoria de contas médicas da UpFlux, que confere 100% das contas antes do pagamento, com o auditor decidindo.
De onde vem o termo
O termo nasceu no setor público americano. O Payment Integrity Information Act of 2019, sancionado em março de 2020 (texto da lei), obriga as agências federais a estimar, com método estatisticamente válido, e a reduzir os pagamentos indevidos dos seus programas. O órgão que administra o Medicare e o Medicaid define pagamento indevido como o pagamento que não atende às exigências do programa, e inclui nessa conta três situações: pagamento a mais, pagamento a menos e pagamento sem documentação suficiente para verificar se era devido (CMS, fact sheet de 15/01/2026).
No mercado americano, o mesmo termo nomeia também a área das seguradoras privadas que cuida de pagar certo, antes e depois do pagamento.
Três ideias do modelo americano servem diretamente para a operadora brasileira:
- Pagamento a menos também é pagamento errado. Integridade não é só evitar pagar a mais; é pagar o valor certo, o que inclui não glosar o que é devido.
- Pagamento indevido não é sinônimo de fraude. O próprio órgão do Medicare diz que a medição não é medição de fraude e que a maior parte dos casos vem de documentação ausente ou insuficiente.
- A taxa se mede por amostra estatística. O programa de medição do Medicare revisa todo ano uma amostra aleatória estratificada e estatisticamente válida de contas (CMS, programa CERT) e projeta a taxa para o total. No ano fiscal de 2025, a taxa estimada do Medicare tradicional foi de 6,55%, ou US$ 28,83 bilhões. O número é de outro sistema e não serve como referência para operadoras brasileiras, mas o método serve.
Integridade de pagamentos na operadora brasileira
Em português, a definição de trabalho é esta: integridade de pagamentos é a garantia de que cada real pago ao prestador corresponde a um serviço coberto pelo contrato e pelo Rol, efetivamente realizado, autorizado quando a regra exige, prestado ao beneficiário elegível e cobrado no valor da tabela negociada.
Cinco perguntas resumem a definição, e cada uma tem um controle que a operadora já conhece:
- Era devido? Cobertura, contrato e elegibilidade.
- Foi autorizado? Auditoria prévia e regulação.
- Aconteceu? Registro de execução, prontuário, controle de sessões, etiqueta de OPME.
- Está no valor certo? Tabela, pacote, quantidade, código.
- É de quem diz ser? Identidade do beneficiário e do prestador, combate à fraude.
O que o termo acrescenta não é um controle novo. É a visão de conjunto: tratar essas perguntas como um único sistema, medido por um único indicador.
As camadas da integridade de pagamentos
A tabela mostra onde cada controle atua, do cadastro ao pós-pagamento. As primeiras camadas evitam o pagamento indevido; as últimas recuperam.
| Camada | Momento | Pergunta | Exemplo de controle | Quem decide |
|---|---|---|---|---|
| Cadastro e contrato | Antes do atendimento | O beneficiário é elegível? O prestador é credenciado para o serviço? A tabela está atualizada? | Elegibilidade, carência, rede, tabela vigente | Cadastro, relacionamento com a rede |
| Autorização prévia | Antes do atendimento | O procedimento deve ser feito, como pedido? | Cobertura, diretriz, OPME, documentação | Regra para o conforme; médico auditor para o mérito e para toda negativa |
| Pré-pagamento | Depois do atendimento, antes de pagar | O que foi cobrado foi feito, autorizado e está no valor certo? | Auditoria de contas: conta contra autorização, prontuário e tabela | Auditor; glosa por motivo clínico com médico auditor |
| Prevenção de fraude | Antes e depois de pagar | Há padrão de cobrança dolosa? | Comparação com pares e com histórico, cruzamento de documentos | Auditor, jurídico |
| Pós-pagamento | Depois de pagar | O que foi pago indevidamente pode ser recuperado? | Revisão retrospectiva, encontro de contas com o prestador | Auditoria, jurídico, financeiro |
| Recurso | Depois da glosa | A glosa estava certa? | Análise do recurso do prestador, com motivo e evidência | Auditor |
Na autorização, a regra da auditoria prévia vale também aqui: a automação libera o pedido conforme ou o encaminha a uma pessoa, e nunca nega. A RN 623/2024 da ANS fixa resposta em até 5 dias úteis para procedimentos comuns e até 10 dias úteis para alta complexidade e internação eletiva, com negativa por escrito e fundamentada (cartilha da ANS, setembro de 2025).
Evitar antes ou recuperar depois
O pagamento indevido evitado vale mais que o recuperado. Recuperar depois de pagar exige encontro de contas ou cobrança, desgasta a relação com a rede e, em parte dos casos, não acontece. Por isso a integridade de pagamentos concentra esforço nas camadas antes do pagamento, sobretudo na auditoria de contas.
O limite é o tempo. A Lei 13.003/2014, que incluiu o art. 17-A na Lei 9.656/1998, exige que o contrato entre operadora e prestador defina prazos e procedimentos para faturamento e pagamento (texto da lei). A auditoria precisa caber nesse prazo. Quando a equipe não dá conta, a operadora escolhe entre atrasar o pagamento e pagar sem auditar, e quase sempre audita só uma amostra, ou só as contas acima de um valor. O que fica fora vira, na melhor hipótese, auditoria retrospectiva.
A cobertura de 100% das contas antes do pagamento é o que resolve esse conflito: a máquina confere tudo dentro do prazo, e o auditor recebe só o que tem divergência, com a evidência organizada.
Integridade não é volume de glosa
O erro mais comum na gestão é medir a auditoria pelo valor glosado. Glosa alta pode significar muito pagamento indevido evitado, ou muita glosa indevida que vai voltar em recurso, ou as duas coisas. E glosa indevida também é falha de integridade: é pagamento a menos, que desgasta a rede e custa caro para reverter.
A discussão em torno da Resolução CFM 2.448/2025 reforça esse ponto. A norma tratou de motivação da glosa e de não glosar o que foi autorizado e realizado, e parte dos artigos está suspensa por liminar da 21ª Vara Federal Cível do DF desde março de 2026; a situação está no artigo sobre a Resolução CFM 2.448/2025. Com ou sem a norma em vigor, o indicador que interessa é conta paga corretamente, com glosa sustentada e recurso baixo. O guia de glosas mostra como motivar cada uma.
Como medir a integridade de pagamentos
O indicador central é a taxa de pagamento indevido: o valor pago a mais mais o valor pago a menos, dividido pelo valor total pago, num período. Como ninguém revisa todas as contas manualmente, a taxa se estima por amostra.
- Defina o universo. Contas pagas no mês, por tipo: consultas, exames, terapias, internações, reembolsos.
- Sorteie uma amostra estratificada. Por tipo de conta e faixa de valor, com tamanho suficiente para a margem de erro que a gestão aceita.
- Revise a amostra por completo. Um auditor confere cada conta contra autorização, prontuário, tabela e contrato, e registra o valor correto.
- Classifique a diferença. A mais ou a menos; por erro, desperdício, fraude ou documentação insuficiente.
- Projete para o total. A taxa da amostra, ponderada pelos estratos, vira a estimativa do mês.
- Repita. A série mensal mostra se os controles estão funcionando.
Em volta da taxa, um painel enxuto mostra onde atuar.
| Indicador | Como medir | O que revela |
|---|---|---|
| Taxa de pagamento indevido | Amostra estratificada, projetada para o total, em percentual e em reais | Se a operadora paga certo |
| Pagamento a menos | Parte da taxa que é glosa indevida ou valor abaixo do contrato | O custo da glosa errada para a rede |
| Cobertura antes do pagamento | Percentual das contas conferidas antes de pagar | Quanto do volume passa sem controle |
| Valor evitado | Pagamento indevido bloqueado antes de pagar, em reais | Efeito da prevenção |
| Valor recuperado | Pagamento indevido devolvido depois de pago, em reais | Efeito do pós-pagamento |
| Glosa revertida em recurso | Percentual e motivo | Qualidade da evidência e da regra |
| Pagamento no prazo contratado | Percentual de lotes pagos dentro do prazo do contrato | Se o controle cabe no prazo |
| Custo do controle por conta | Custo da auditoria dividido pelo número de contas | Eficiência do processo |
Dois cuidados. O valor evitado só é confiável quando confirmado pelo auditor: apontamento que ninguém analisou não é economia. E a taxa só é comparável ao longo do tempo se o método da amostra não mudar.
Por onde começar
Uma operadora que quer tratar integridade de pagamentos como sistema pode começar em quatro passos.
- Medir a linha de base. Uma primeira amostra estratificada diz qual é a taxa hoje, antes de qualquer mudança.
- Mapear o caminho da conta. Da entrega do lote ao pagamento, onde a conta espera, volta e é refeita. A mineração de processos na saúde faz esse mapa a partir dos registros dos sistemas, e é a base sobre a qual os controles são desenhados.
- Ligar autorização e conta. A referência da conta é a autorização; sem essa ligação, a conferência fica pela metade.
- Cobrir 100% antes do pagamento. Conferência automática de todas as contas, com o auditor nos casos com divergência.
Como a UpFlux faz
A auditoria de contas médicas da UpFlux é a camada de pré-pagamento: confere 100% das contas contra autorização, prontuário, tabela e padrão do prestador, aponta cada divergência com a evidência e deixa a decisão com o auditor; glosa por motivo clínico é de médico auditor. A Auditoria de Liberação é a camada de autorização: libera o pedido conforme e manda ao auditor o que tem mérito, sem nunca negar sozinha. O resultado é medido em reais, conta por conta, com process intelligence.
A operação roda dentro dos sistemas que a operadora já usa, como Tasy, MV e o sistema da própria operadora, e atende mais de 50 singulares do Sistema Unimed, entre elas Unimed Paraná, Unimed BH, Unimed Sorocaba e Unimed Serra Gaúcha. Para medir a integridade de pagamentos na sua base, fale com a equipe de auditoria de contas médicas da UpFlux.
Perguntas frequentes
O que é integridade de pagamentos em saúde?
É o conjunto de controles que garante que cada pagamento da operadora ao prestador seja devido: serviço coberto, realizado, autorizado quando exigido, para o beneficiário elegível e no valor contratado. É a tradução de payment integrity, termo do mercado americano.
Qual a diferença entre integridade de pagamentos e auditoria de contas médicas?
A auditoria de contas é uma das camadas da integridade de pagamentos, a do pré-pagamento. A integridade inclui também cadastro e contrato, autorização prévia, prevenção de fraude, pós-pagamento e recurso de glosa, medidos por um indicador comum.
Como se mede a integridade de pagamentos?
Pela taxa de pagamento indevido: valor pago a mais mais valor pago a menos, dividido pelo total pago no período. Ela é estimada por uma amostra estratificada de contas revisadas por completo e projetada para o total, como faz o programa de medição do Medicare nos Estados Unidos.
Pagamento indevido é o mesmo que fraude?
Não. Pagamento indevido inclui erro de cobrança, desperdício, documentação insuficiente e fraude. O órgão que administra o Medicare afirma que a sua medição de pagamentos indevidos não é medição de fraude. Fraude é a parte que exige apuração e evidência de intenção.
Glosar mais melhora a integridade de pagamentos?
Não necessariamente. Glosa indevida é pagamento a menos e também é falha de integridade. O indicador certo é conta paga corretamente: glosa sustentada, recurso baixo e taxa de pagamento indevido caindo ao longo do tempo.
Onde isto vira operação
- Auditoria de 100% das contasO agente analisa toda conta dentro do Tasy, do MV ou do sistema da operadora e devolve ao auditor só o que muda o número.
- O mesmo agente, nas outras operaçõesContas médicas, leitos e pronto atendimento rodam o mecanismo que compras usa para cotar e emitir pedido: decidir dentro da alçada e devolver a exceção para a pessoa.
- Capacidade em saúdeContas, leitos e pronto atendimento na mesma operação, com resultado em reais.



