Gartner prevê que 90% das compras B2B serão intermediadas por inteligência artificial até 2028 e essa projeção já está mudando a pauta de procurement em empresas de todos os tamanhos.
Não se trata de robôs substituindo compradores. O que está em jogo é uma transformação no papel da IA dentro do ciclo de compras, com agentes autônomos que identificam necessidades, consultam fornecedores, aprovam pedidos e processam pagamentos, dentro das políticas da empresa.
A adoção já começou. A questão agora é a profundidade com que cada organização vai conduzir essa transição e se vai chegar a 2028 preparada para operar nesse cenário.
Quer saber mais? Então, continue lendo para entender o que essa previsão significa, quais etapas do procurement serão transformadas primeiro e o que fazer hoje para não precisar recuperar terreno depois.
Falar em compras B2B “intermediadas por IA” não é falar de um botão de aprovação automática ou de um assistente que responde dúvidas sobre pedidos.
É falar de agentes autônomos, sistemas capazes de perceber contexto, tomar decisões e executar ações dentro de limites definidos pela empresa, sem depender de um humano em cada ponto do processo.
Na prática, isso significa um sistema que identifica a necessidade de reposição de um insumo com base no histórico de consumo, consulta o catálogo de fornecedores aprovados, compara preços e condições contratuais, emite o pedido de compra, aciona a aprovação quando necessário e libera o pagamento após a confirmação de entrega. Tudo de forma encadeada.
Inclusive, é o que algumas das maiores empresas do mundo já estão testando e, em algumas categorias de compra, já operando em escala.
O que Gartner projeta para 2028 é a generalização desse modelo. Portanto, a diferença entre quem vai se beneficiar e quem vai se perder nessa transição está sendo construída agora.
Você provavelmente já ouviu falar de RPA, de inteligência artificial generativa e de automação de processos. No entanto, a IA agêntica vai além disso quando o assunto são compras B2B.
Um sistema RPA executa tarefas repetitivas exatamente como foi programado. Ou seja, ele não interpreta o contexto, não toma decisões e não se adapta. Se algo sair do fluxo esperado, ele para.
Já a IA generativa responde perguntas, analisa documentos e gera conteúdo. Mas ainda depende de um humano fazendo a pergunta e interpretando a resposta.
A IA agêntica, por sua vez, fecha esse ciclo. Afinal, ela lê dados de múltiplas fontes, ERP, contratos, histórico de fornecedores, sinais de mercado, decide qual é o melhor caminho dentro das políticas estabelecidas e age.
De acordo com a McKinsey, agentes autônomos aplicados ao procurement conseguem capturar entre 15% e 30% de ganho de eficiência em atividades sem valor estratégico, exatamente as tarefas que consomem horas do time hoje.
Porém, a mudança mais relevante aqui é conceitual: o trabalho deixa de ser gerenciar documentos e etapas do processo, e passa a gerenciar decisões e resultados.
O impacto da IA agêntica não será uniforme em todo o ciclo de compras B2B. Algumas etapas já estão sendo transformadas; outras vão levar mais tempo, justamente porque exigem julgamento humano em contextos de maior complexidade.
Entender essa distinção é o que permite agir de forma inteligente, sem tentar automatizar tudo de uma vez.
Hoje, grande parte das requisições ainda passa por formulários, e-mails e filas de aprovação manual. Com agentes de IA, esse fluxo evolui para um modelo baseado em intenção. Desse modo, o solicitante descreve o que precisa, e o sistema monta a requisição, verifica o orçamento disponível, consulta o catálogo de fornecedores homologados e encaminha para aprovação, ou aprova automaticamente, quando dentro das políticas.
Inclusive, empresas que já adotaram esse modelo relatam reduções de 40% a 50%no ciclo de requisição.
No lugar das avaliações periódicas e manuais, os agentes de IA monitoram continuamente a saúde financeira dos fornecedores, indicadores de entrega e alertas de risco.
Antes de qualquer negociação, o comprador já tem em mãos uma análise atualizada de quais parceiros estão performando dentro do esperado e quais representam risco no curto prazo.
É aqui que a IA agêntica já produz os resultados mais mensuráveis. O touchless invoicing, processamento de faturas sem intervenção humana, pode ultrapassar 90% das transações com agentes bem configurados, com casos documentados de melhora superior a 500% na taxa de faturas processadas sem toque humano.
Agentes autônomos monitoram o processo de compras B2B em tempo real, identificando compras fora do fluxo aprovado, pedidos sem PO, duplicidade de pagamentos e desvios contratuais, antes que esses problemas gerem prejuízo ou passivo de auditoria.
Existe um ponto que separa as empresas que vão conseguir capturar o valor da IA agêntica das que vão enfrentar dificuldades nessa transição: a qualidade dos dados e a visibilidade sobre como o processo de compras funciona na prática.
Nenhum agente de IA toma boas decisões em cima de processos opacos, dados fragmentados ou fluxos inconsistentes.
Por isso, antes de automatizar, é necessário entender como as compras realmente acontecem na empresa. Isto é, não como foram desenhadas no papel, mas como se desenvolvem no dia a dia, com todas as variações e exceções que existem.
É aqui que o process mining se torna a base de qualquer transformação consistente em procurement.
Em resumo, ele extrai os dados reais do ERP, reconstrói cada variante do processo de compras como ela de fato acontece e entrega essa inteligência de forma visual e acionável.
Quantos pedidos seguem o fluxo padrão? Onde estão os gargalos? Quais categorias concentram maverick spending? Quais fornecedores geram mais exceções?
Essas perguntas precisam de respostas baseadas em dados, não em percepções.
A previsão não representa o fim da carreira em compras B2B. Muito pelo contrário! Representa uma mudança de papel, e entender essa distinção faz toda a diferença na hora de se posicionar.
Funções operacionais como lançamento de requisições, follow-up de fornecedores e conciliação manual de notas fiscais serão assumidas por agentes autônomos. Em contrapartida, abre-se espaço para um perfil de comprador mais estratégico, com maior influência dentro da organização.
Três papéis já estão emergindo nas estruturas de procurement mais maduras:
Projeta os fluxos, define as regras de governança e garante que os agentes de inteligência artificial operem dentro dos limites corretos.
Transforma outputs analíticos, dashboards, alertas, projeções, em decisões de negócio claras.
Foca na gestão de relacionamentos complexos, negociações de alto valor e conformidade com critérios ambientais, sociais e de governança.
O futuro do procurement não é uma operação sem pessoas. É uma operação com pessoas dedicadas ao que realmente exige julgamento humano.
Se a sua empresa ainda está no início dessa jornada, não é necessário transformar tudo de uma vez. O que não é mais viável é postergar indefinidamente. Aqui estão três ações práticas para avançar com consistência:
Preparar a operação de compras para a era da IA agêntica começa por ter clareza sobre o processo atual. Sem isso, qualquer automação opera sobre uma base instável e os erros tendem a se multiplicar na mesma velocidade que as transações.
O P2P da UpFlux foi desenvolvido para dar às equipes de procurement exatamente essa visibilidade. A plataforma conecta os dados reais do seu ERP, reconstrói o ciclo de compras do pedido ao pagamento e entrega indicadores acionáveis sobre onde o processo está funcionando bem e onde estão os gargalos, os desvios e as oportunidades de melhoria.
Na prática, isso significa que a sua equipe passa a trabalhar com informação concreta, não com percepção.
Ciclo médio de aprovação, taxa de pedidos sem PO, índice de maverick spending, conformidade com fornecedores homologados: tudo visível, em tempo real e com a granularidade necessária para tomar decisões com segurança.
Esse diagnóstico é o que permite identificar quais etapas do ciclo de compras B2B estão prontas para receber automação inteligente, quais ainda precisam de ajuste de processo e onde a intervenção humana continua sendo necessária.